POR QUE O PORTAL ??

Este Blog retrata a difícil convivência com alguém que optou pelo caminho errado em busca do prazer da droga. Sofri sentindo os efeitos de uma doença tão perigosa quanto à dependência química: a Co-Dependência. Passei por muitos sofrimentos e vitórias. Por experiência própria vivida, sei exatamente quais os traços de comportamento, sinais da abstinência, como identificar um adicto por ter convivido tão de perto com este problema . Espero com isso poder levar ajuda a muita gente, transmitindo mais e mais informações sobre este assunto que em minha opinião é tão pouco divulgado.

NOVIDADE: DEPOIMENTO

O PORTAL ESTÁ COM UM NOVO COLUNISTA COLABORADOR- "UM ADICTO EM RECUPERAÇÃO" RELATANDO SEU SOFRIMENTO EM NÃO ACEITAR A SUA ADICÇÃO E A RECUPERAÇÃO QUE VIVE HOJE .(postagens com fundo azul escuro)

"Saiba reconhecer alguns sinais do uso de drogas" - Rádio Estadão AM1290 - com Fabíola Pece

sexta-feira

Paranóia


A paranóia é uma psicose caracterizada por um conceito exagerado de si mesmo e de idéias de perseguição, reivindicação e grandeza, que se desenvolvem progressivamente, sem alucinações .
Sabe-se que a paranóia pode ter várias origens, que ainda estão sendo estudadas, desde o stress, fatores genéticos, bioquímicos até o uso de drogas.
Como descrito anteriormente a paranóia caracteriza-se por uma desconfiança grave, ilusões fixas, um sistema delirante duradouro e inabalável, mas há manutenção da clareza, da ordem de pensamento, da vontade e da ação.
O dependente químico se torna paranóico devido a ação neuroquímica cerebral, uma vez que a droga age diretamente nos neurotransmissores, que leva o indivíduo a mudanças comportamentais e fisiológicas. A palavra agressividade é utilizada no senso comum com algo pejorativo, onde faz-se a exclusão de uma pessoa devido ao seu comportamento momentâneo.
Porém, a agressividade é algo inerente ao ser humano, vem dos instintos básicos, sendo um comportamento emocional que faz parte da afetividade humana. Com isso, pode-se dizer que a pessoa está agressiva e não é agressiva; o mínimo de agressividade é necessário e preciso para a sobrevivência do ser humano. O não aceito é a exacerbação da mesma, pois neste caso o indivíduo é taxado, erroneamente, como tendo uma personalidade agressiva.
Para os profissionais de saúde mental, a agressividade não pode ser considerada um transtorno psiquiátrico específico, ela é, antes disso, um sintoma que reflete uma conduta desadaptada.
Pode-se perceber que nas sociedades ocidentais, a agressividade é aceita quando vista como iniciativa, ambição, decisão ou coragem; mas é punida quando vista como atitudes hostis e de sentimentos de cólera.
Contudo, a agressividade não é somente caracterizada por ação motora violenta e destruidora, o comportamento negativo de recusa ao auxílio e o simbólico como a ironia, também podem funcionar como agressão.
No dependente químico a agressividade pode surgir por vários fatores, tais como: uso abusivo ou abstinência de drogas, preconceitos (social e familiar) e pelo surgimento da paranóia, uma vez que esta suscita no indivíduo a resposta ao estímulo da perseguição.
Dependência química é entendida como uma doença caracterizada por comportamentos impulsivos e recorrentes da utilização de uma determinada substância, que envolve aspectos biopsicossociais. O motivo de muitas pessoas que utilizam drogas tornarem-se dependentes é que a substância ingerida e sua consequente ação no sistema nervoso propiciam sensações prazerosas, ainda que momentâneas.
O dependente químico pode vir a apresentar dois tipos de dependências: 1- física ; 2- psicológica.
  • 1- A física é caracterizada pelo sistema de recompensa cerebral, responsável pela principal fonte de liberação do neurotransmissor dopamina, responsável pela estimulação do prazer.
  • 2- Quanto ao aspecto psicológico, o uso de drogas pode erroneamente ser associado ao alívio de sensações desconfortáveis, como: ansiedade, medos, tensões, entre outros. Dessa forma, a droga é capaz de anestesiar a dor de existir, mantendo o indivíduo alheio às dificuldades que deveria enfrentar na vida cotidiana. Sem o consumo desta, a pessoa tem a sensação de incapacidade de viver.
A droga traz para o indivíduo um contexto lúdico e fantasioso, só que na prática esse não é um agente de lapidação, mas sim de destruição, por isso, pode-se perceber nitidamente nos dependentes a distorção do sagrado, que é a forma alterada de ver o mundo, uma vez que na possessão do vício a pessoa se modifica, pois na busca do prazer imediato utiliza-se da agressividade. Neste ponto o vício tem a capacidade de deixar a pessoa sem percepção, vivendo somente de sensação, por isso a necessidade do prazer imediato e a não visão de que a droga é algo capaz de matá-lo, podendo surgir a auto-destrutividade e o auto-boicote.
A paranóia surge como um caráter de defesa, apresentando delírios pouco sistematizados, acompanhada da perda de sentimentos, podendo acarretar a agressividade devido a dificuldade que os dependentes possuem de conviver com o social e de se integrarem a ordem (regras sociais).
Pode-se dizer que na dependência química encontra-se presentes os complexos materno e de inferioridade. Entende-se por complexos um conjunto de idéias carregadas afetivamente que evoluem para a formação do ego, tendo origem nos arquétipos.
O complexo materno apresenta certas características, como: ansiedade, necessidade de quebra de contrato, agressividade, persecutoriedade e desrespeito as regras sociais, portanto, pode-se afirmar que dentro deste complexo estão todas as dependências e drogadições.
Existe um padrão que é arquetípico no complexo de inferioridade, no qual a pessoa se acostuma com a forma destorcida de ganhar amor, que leva a uma fixação nesse processo propiciando o auto-boicote. Este complexo está estritamente associado a criação, rejeição dos pais e falta de afetividade, portanto, para que o indivíduo possa suportar viver no complexo de inferioridade ele infla seu ego, ou seja, aparenta uma superioridade que não possui.
Sendo assim, pode-se dizer que essas pessoas não vivem, mas sim, co-existem em meio ao seu próprio caos.

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