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Este Blog retrata a difícil convivência com alguém que optou pelo caminho errado em busca do prazer da droga. Sofri sentindo os efeitos de uma doença tão perigosa quanto à dependência química: a Co-Dependência. Passei por muitos sofrimentos e vitórias. Por experiência própria vivida, sei exatamente quais os traços de comportamento, sinais da abstinência, como identificar um adicto por ter convivido tão de perto com este problema . Espero com isso poder levar ajuda a muita gente, transmitindo mais e mais informações sobre este assunto que em minha opinião é tão pouco divulgado.

NOVIDADE: DEPOIMENTO

O PORTAL ESTÁ COM UM NOVO COLUNISTA COLABORADOR- "UM ADICTO EM RECUPERAÇÃO" RELATANDO SEU SOFRIMENTO EM NÃO ACEITAR A SUA ADICÇÃO E A RECUPERAÇÃO QUE VIVE HOJE .(postagens com fundo azul escuro)

"Saiba reconhecer alguns sinais do uso de drogas" - Rádio Estadão AM1290 - com Fabíola Pece

quarta-feira

Maconha e cocaína: porta de entrada para outras drogas?


Não é segredo para ninguém que a maconha e a cocaína estão entre as drogas ilícitas mais consumidas no Brasil e no mundo. Mas afinal, por que isso acontece? Muitos são os fatores que podem explicar essa situação, mas o principal deles é a fácil aquisição dos entorpecentes no comércio ilegal, apesar da tentativa de combate por parte das autoridades.

Além de serem amplamente consumidas no país, tanto a maconha como a cocaína, ao lado de algumas drogas lícitas como o álcool e o cigarro, são consideradas por alguns profissionais da medicina como um ponto de partidapara o consumo de outras substâncias ditas mais "pesadas". Saiba por que na entrevista do Idmed com especialistas do Serviço de Psiquiatria de Adições do Hospital de Clínicas de Porto Alegre - RS.

Do ponto de vista médico, a maconha pode ser considerada uma espécie de porta de entrada para outras drogas? Se sim ou não, por quais motivos?
Sim, praticamente todas as drogas de abuso podem servir como facilitadoras para o uso de outras drogas, em função de alterações que ocorrem no chamado sistema de recompensa cerebral, que está envolvido na tomada de decisão e comportamento de busca. Geralmente, o início do uso de substâncias se dá com as drogas lícitas: o álcool e o tabaco. Contudo, quando observamos a trajetória desses usuários, percebemos que é alta a prevalência de dependentes de drogas ditas "pesadas", como a cocaína e o crack, que fizeram uso anteriormente de drogas ilícitas "mais leves", como a maconha. O aumento na disponibilidade, que ocorre no nosso país, baixo custo e efeitos de curto prazo mais leves costumam aumentar a prevalência de experimentação e tornar a maconha mais socialmente "tolerável", mas os danos a longo prazo no psiquismo e na vida pessoal de um dependente dessa droga costumam ser extensos. Além disso, o fato de o usuário estar acostumado ao efeito das mais leves faz com que ele minimize os efeitos das drogas mais pesadas, além de ter um acesso facilitado pelo maior contato com o tráfico. Por isso, costuma-se dizer que a maconha é a porta de entrada, mas certamente não é a única.

Ainda do ponto de vista médico, as drogas consideradas lícitas como o álcool e o cigarro também não podem ser um convite aos usuários experimentarem outras drogas?
Além dos fatores neurobiológicos já citados anteriormente, existem outros de cunho social que fazem com que as drogas lícitas estejam relacionadas às drogas ilícitas. Estudos indicam uma predisposição genética aumentada para a dependência entre usuários de vários tipos de substância. A convivência em lugares e com pessoas que utilizam substâncias, muitas vezes, pode influenciar o consumo de outras. Como exemplo, existem os grupos que frequentam bares, boates e festas rave, que costumam abusar de várias drogas.

A chegada dessas drogas às escolas é motivo de preocupação, tendo em vista a facilidade do acesso e a curiosidade dos jovens em experimentar o "novo"?
Sim, especialmente porque o surgimento de um ou mais usuários aumenta a chance de que outros adolescentes se tornem também usuários, em função da aprendizagem social ou até mesmo devido a algum tipo de pressão social. Muitas vezes os jovens utilizam as substâncias para se inserir em um determinado grupo, mas depois têm dificuldade de sair. Em função disso, o uso de drogas raramente se dá de forma isolada, ao menos no início, até porque um indivíduo curioso, mas isolado, dificilmente terá os conhecimentos mínimos necessários para usar a droga: como obter, quanto pagar, como verificar a qualidade da droga, como administrá-la, quais os efeitos normais, como evitar problemas com o uso, etc. Para saber o que fazer, o usuário depende de um grupo, que, além de tudo, estimula o uso e o aceita. Por isso, a formação de grupos de usuários em escolas é tão preocupante.

Por que drogas como a maconha e a cocaína são consideradas sociais?
Isso ocorre porque são as drogas ilícitas mais consumidas em situações sociais e mais disponíveis pelo comércio ilegal de drogas, portanto de mais fácil aquisição. Durante a década de 70, os efeitos dessas drogas foram "glamorizados", mas atualmente isso está mais direcionado à maconha, devido aos inúmeros danos já comprovados associados com o uso de cocaína e crack. Contudo, tanto o uso de maconha como o de cocaína vêm aumentando em alguns países, como no Brasil na última década, segundo estatísticas nacionais e internacionais.

Qual é o grau de dependência dessas drogas sociais? Elas podem ser comparáveis a outras lícitas ou ilícitas?
O grau de desenvolvimento de dependência de drogas varia conforme o tipo de droga, a predisposição genética do indivíduo e conforme o seu modo de uso e, sim, são comparáveis a outras drogas lícitas ou ilícitas. Aproximadamente, um em cada 10 usuários de maconha se torna dependente e esse risco é comparável ao de álcool (15%) e outras drogas como cocaína (10-20%). Já a forma fumada de cocaína, o crack, apresenta risco de dependência de 25 a 30%, comparável ao de tabaco (32%) e heroína (23%).

Por fim, gostaria que falasse um pouco das drogas sintéticas. Qual é a grande preocupação médica em relação a esse tipo de consumo?
O consumo de drogas sintéticas como anfetaminas e metanfetaminas, incluindo o ecstasy, vem aumentando no Brasil, enquanto há diminuição do consumo em outros países. São drogas de uso muitas vezes recreacional, associadas a padrões de comportamento tolerados pela sociedade e estimulados na mídia. O ecstasy está bastante presente em festas rave, e especialmente os estimulantes são consumidos no intuito de se atingir o padrão estético de beleza magra. A combinação de álcool, estimulantes e dietas restritivas pode ocasionar graves problemas ao organismo, aumentando o risco de intoxicação grave. Além disso, os transtornos psiquiátricos e problemas clínicos desencadeados pelo abuso dessas drogas não são incomuns e podem ser muito graves, como a própria dependência, transtornos psicóticos, desidratação, hipertermia, convulsões, entre outros.

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