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Este Blog retrata a difícil convivência com alguém que optou pelo caminho errado em busca do prazer da droga. Sofri sentindo os efeitos de uma doença tão perigosa quanto à dependência química: a Co-Dependência. Passei por muitos sofrimentos e vitórias. Por experiência própria vivida, sei exatamente quais os traços de comportamento, sinais da abstinência, como identificar um adicto por ter convivido tão de perto com este problema . Espero com isso poder levar ajuda a muita gente, transmitindo mais e mais informações sobre este assunto que em minha opinião é tão pouco divulgado.

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"Saiba reconhecer alguns sinais do uso de drogas" - Rádio Estadão AM1290 - com Fabíola Pece

quinta-feira

Dependência do Sexo


A dependência do sexo, também conhecida como Desejo Sexual Hiperactivo, é uma adição que se manifesta através do descontrolo da motivação sexual.

O indivíduo afectado por esta patologia apresenta um elevado nível de desejo e de fantasias sexuais, sentindo a necessidade de ocupar muito do seu tempo com este tipo de práticas.



O exagero do desejo sexual no homem apelida-se de erotomania e na mulher chama-se ninfomania.

A dependência do sexo começa a detectar-se com os sintomas de privação inerentes à ausência de actividade sexual.

Não obstante, a dependência não se reporta tanto à quantidade mas à qualidade do sexo – pobre –, e com o tempo e a energia dispendidos.

É comum que o adicto procure obsessivamente ter sexo e, não obtendo êxito, compre esse sexo, sem qualquer sentimento associado.

A intimidade física contrasta com a enorme distanciação psicológica, sendo que amiúde nem se sabe o nome do(a) parceiro(a).

Quando se esforça por controlar o impulso sexual, o adicto fica, regra geral, ansioso ou depressivo.

O quotidiano e as relações de afecto ficam, vulgarmente, prejudicadas pela prevalência dos pensamentos e sentimentos sexuais.

Do espectro de comportamentos do indivíduo podem constar a masturbação obsessiva, exibicionismo, compra de material pornográfico, utilização de serviços eróticos telefónicos ou via Internet, voyeurismo, relações sexuais com pessoas desconhecidas ou “profissionais do sexo”, sevícias sexuais, comportamentos sexuais em público, sadomasoquismo e até violações, incesto, abuso de crianças ou de adultos com défice de consciência…



Na dependência do sexo, toda a vida do doente está orientada no sentido de cumprir o seu apetite sexual.

Em muitos casos o dependente perde a capacidade de discernimento e descura-se das suas obrigações familiares e laborais.

O indivíduo não consegue ter qualquer controlo sobre os seus comportamentos procurando continuamente experiências de prazer imediato, narcisistas e de curta duração.

O mal-estar psíquico é atenuado apenas durante esses instantes de obtenção de “prazer”, sendo que, depois da euforia, a vergonha, a culpa, a tristeza, o remorso, o senso de cobardia e de traição e o ódio de si mesmo tomam as rédeas de uma nova procura de estímulos sexuais, a fim de buscar uma nova gratificação e mais apaziguamento para os seus sentimentos mais “negativos”.

O impulso sexual vai-se repetindo com intervalos cada vez mais curtos (a habituação retira o prazer inicial) , podendo ser despoletado pelo stress, por emoções negativas e por outros quaisquer incentivos (música, dança, pornografia, ...).

Os efeitos nefastos a nível pessoal e social vão-se acumulando e as relações estáveis começam deixar de existir.



O dependente do sexo, ao escalar os vários degraus da adição, chega a um ponto em que tudo na sua vida está sacrificado ao sexo, tornando-o incapaz de escolher, decidir, planificar, pensar, intuir ou procurar oportunidades de vida.

A fantasia e a obsessão sexual, proporcionam-lhe um estado de alteração, um entorpecimento sexual, que o levam a fazer coisas perigosas, a ignorar e a distorcer a realidade e, no extremo, a perder o contacto com ela.



A dependência do sexo cria uma dependência física idêntica à da cocaína (cuja abstinência provoca transtornos no equilíbrio neuroquímico) e emocional (porque se fica sem a “muleta” para enfrentar a vida e os problemas).


Nesta perspectiva, é necessário um imediato e forte suporte profissional na arrumação das ideias e dos sentimentos e na articulação das decisões deste tipo de dependente.

O dependente do sexo vive a sexualidade como uma obsessão que se torna no primeiro elemento organizador do dia, sendo todas as outras actividades (comer, dormir, trabalhar, divertir-se…) secundárias.

O bom senso, a razão e o juízo ficam completamente à mercê das metas sexuais, que ultrapassam e esmagam o dependente.



A adição ao sexo pode também estar associada a outras dependências (nomeadamente a drogas, trabalho compulsivo, compras, sexo na Internet, jogo), bem como a desordens psiquiátricas e alimentares, mas em qualquer caso as consequências são sempre graves.

Em termos físicos, a dependência do sexo expõe a problemas de sono, tensão arterial alta, esgotamento físico, úlceras, doenças venéreas e infecciosas, disfunções sexuais, entre outros.



Do ponto de vista emocional, abafa os sentimentos até ao desleixo e à apatia.

A infantilidade, a impaciência, a exigência desmedida, o medo da rejeição, o isolamento e o desespero são comuns, neste tipo de dependência.

A nível cognitivo, esta dependência pode interferir com os processos mentais, comprometendo a vigilância, a acuidade mental, a atenção e a concentração.

Por outro lado, a continuidade do mentir, negar, racionalizar, minimizar e projectar é susceptível de desencadear pensamentos paranóicos, como mania da perseguição.

O dependente pode também gastar o que tem e o que não tem, com a prostituição, pornografia, instrumentos sexuais, telefonemas eróticos, prendas excêntricas para os(as) amantes, combustível, despesas legais...

No âmbito social (família, amigos, trabalho), para além do tempo, o adicto ao sexo subtrai também atenção e dinheiro, alheado do seu egocentrismo e da sua incapacidade de amar efectivamente.

Quando o dependente é casado, poderá dar lugar a abusos familiares físicos e até mesmo sexuais.

As amizades deste tipo de dependente são supérfluas e apenas cultivadas enquanto geradoras de compensações (de preferencia sexuais).



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