No ranking dos grupos mais
repudiados no País, de acordo com pesquisa publicada em fevereiro pela Fundação
Perseu Abramo, os usuários de drogas aparecem em segundo lugar no grau de
aversão, perdendo apenas para os ateus. Entre as pessoas que o brasileiro menos
gostaria de encontrar na rua, viciados em drogas aparecem em primeiro lugar, na
opinião de 35% dos entrevistados.
O levantamento
também aponta a existência de intolerância relacionada a orientação sexual e
crença religiosa, temas já abordados em O Diário nesta série de reportagens
sobre preconceito. O preconceito contra o usuário de drogas é acentuado pela
escalada da violência relacionada ao tráfico, destacada pela mídia. Muitas pessoas
acreditam que todo usuário de droga está ligado ao crime.Embora o enfoque da sociedade em relação às drogas esteja em questões de segurança e repressão, este é um problema de saúde pública. A dependência química já é considerada uma epidemia, diz Ângela Maria Nogueira, diretora do Centro de Atenção Psicossocial para Álcool e Outras Drogas (Capsad).
Para ela, o preconceito e a marginalização do usuário atrapalham o tratamento. Muitos não se aceitam como dependente químico e relutam em buscar apoio. Quando finalmente o fazem, a situação pode já estar fora de controle, comenta. O Capsad é um ambulatório de referência, criado em dezembro de 2002. Todos os meses, entre 190 e 210 dependentes químicos são atendidos no local.
Eles não ficam internados, mas recebem tratamento multidisciplinar. A droga é um assunto complexo, tratado no Capsad com uma equipe que inclui assistente social, psiquiatra e psicólogo, explica Ângela, que é enfermeira.
A medicação é ministrada de maneira criteriosa, apenas em casos onde é extremamente necessária. Caso a internação seja necessária, o Caps aciona a emergência psiquiátrica do município. Apesar da sociedade rotular o dependente de bandido, ele é um paciente como qualquer outro, que precisa de tratamento, ressalta Ângela.
Um dos obstáculos para o tratamento da dependência química é a vergonha dos familiares em aceitar que a droga é um problema naquele lar. Quando o dependente é encaminhado para o tratamento, os familiares sentem-se envergonhados perante os vizinhos, comenta a assistente social do Capsad, Rosângela Zanin.
Muitos deles não entendem o porquê da presença de uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel às Urgências (Samu) e viaturas da Polícia Militar, destaca. Para ela, o dependente químico causa preconceito porque a questão é cercada de valores e conceitos morais. Apesar disso, quase todas as famílias têm algum dependente químico, seja de drogas ilícitas, álcool, cigarro ou drogas lícitas, os medicamentos, comenta Rosângela.
Atualmente, os casos mais graves em Maringá estão relacionados ao consumo do crack, droga que causa alto grau de dependência, e com muita rapidez. Já não é uma droga que afeta somente o adolescente. Independentemente da classe social, hoje temos muitos idosos utilizando crack, principalmente aqueles que já tinham um histórico de alcoolismo¿, comenta a assistente social.
O crack é uma droga que causa fissura durante o uso, ou seja, enquanto a pessoa está fumando, já sente vontade de utilizar ainda mais, explica. Segundo a diretora do Capsad, Ângela Nogueira, o dependente químico perde totalmente a capacidade de controle. Muitas pessoas atendidas no Capsad contam que fumavam até acabar o dinheiro, afirma.
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